Abertura de O Grande Livro das Pessoas sem Nome

Vagueio
Pela rua escura.
Pergunto às sombras
Quem sou.
Mas elas me respondem apenas
Com o seu silêncio sarcástico.
Atiro-me no prazer
Buscando um sentido
Mas encontro apenas um precipício
De dor.
Sou carregado por mil vampiros
Às portas de uma igreja
Onde imploro por meu nome.
O mesmo silêncio sarcástico,
A mesma angústia,
O mesmo vazio.
Viro as costas
E volto às ruas e sarjetas gélidas
Da cidade.
Lindas prostitutas passam por mim
Mas nenhuma que saiba o meu nome.
Mesmo que soubessem,
Que saberiam?
Um nome não serve para nada.
Arrastando-me na escuridão
Vejo a placa da rua onde me encontro.
E leio, desesperado,
À procura de minha identidade.
Porém, descubro pasmo,
Que a rua possuía o meu nome.
Sentei-me na calçada,
E chorei.

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