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Entrevista no “MilkShake de Palavras”

milkShakeMais uma entrevista foi publicada, desta vez pelo blog “MilkShake de Palavras”. A entrevista está disponível no blog, mas segue também logo abaixo. Se você tem um blog, e também deseja publicar uma entrevista, entre em contato!..

1 – Qual é a sua principal fonte de inspiração?

São várias as fontes de inspiração, e possivelmente muitas das quais eu nem tenho consciência. Mas em geral eu começo com uma pergunta. E meu texto gira em torno desta pergunta, sem necessariamente respondê-la. Por exemplo, o “Vida” surgiu com a pergunta “O que é a Vida?” e “O Grande Livro Das Pessoas Sem Nome” surgiu com a pergunta “Quem sou eu?”. Acho que gosto da ideia da literatura como uma fonte de questionamentos para o leitor, mas sem necessariamente apresentar soluções ou uma resposta qualquer.

Também sou inspirado pelos textos de outros escritores. Acho que todo texto que lemos nos marca de certa forma, e é natural que a nossa produção seja influenciada pelos que mais nos marcaram. Eu adoro escritores como Clarice Lispector, José Saramago, James Joyce… Além de diversas outras influências, que com certeza podem ser reconhecidas no meu livro.

2 – Qual foi o principal foco para a escrita de O Grande Livro Das Pessoas Sem Nome?

A ideia do “O Grande Livro Das Pessoas Sem Nome” é questionar a nossa noção de identidade. Cada conto explora uma diferente faceta de nossa personalidade, em busca de uma resposta impossível para a questão “Quem eu sou?”

3 – Você gosta de escrever desde quando?

Desde o ensino fundamental. Eu escrevi o meu primeiro livro na 4a série, e vendi na Feira do Livro da minha escola. Foi uma experiência transformadora, desde aquele dia tenho iniciado vários projetos. Mas demorou muito tempo até que eu finalmente conseguisse levar um projeto até o fim e terminar mais um livro. O “Vida” surgiu já quando eu estava na faculdade, muitos anos depois da minha primeira experiência.

4 – Qual seu gênero literário favorito?

O gênero de livros que não seguem regras de nenhum gênero (o que é matematicamente impossível… hehe). Em geral gosto de autores que desafiam as regras e inovam de alguma forma. Acho que cada livro é mais do que uma estória, cada livro é um reflexo da visão do escritor do que é literatura, e uma tentativa de concretizar esta visão. Portanto considero que escritores que tem esta visão, mesmo que seja (e talvez tenha que ser) uma visão particular do que é um livro, vão ser capazes de produzir grandes obras ao tentar se aproximar desta visão. Já escritores que simplesmente seguem as regras de um gênero não vão fazer mais do que produzir mais um livro de tal gênero.

5 – Qual a principal mensagem que você quer passar com seus livros?

Como disse antes, eu não acho que a literatura tem que passar uma mensagem. Acho que a literatura tem que passar uma pergunta (se é que a literatura tem que passar alguma coisa!.. hehe). Eu vejo o livro como uma fonte de questionamento e reflexão, mas fica a cargo do leitor encontrar sua própria interpretação e seus próprias respostas (ou mesmo não encontrar resposta nenhuma).

6 – Você sempre recebe depoimentos de seus leitores?

Hmm… Não diria “sempre”, mas tenho recebido depoimentos dos meus leitores. Gostaria de receber mais! :) Recentemente tenho investido mais tempo na divulgação do “O Grande Livro Das Pessoas Sem Nome”, mas acho que ainda não passou tempo suficiente para muitas pessoas terminarem a leitura e me enviarem comentários. Recebi esta semana um comentário excelente de Andressa Amaral (http://www.leandromarcolino.com.br/?p=170). Ela comentou meu livro na forma de um poema, achei bem interessante.

7 – Qual a sua opinião sobre a literatura brasileira na atualidade?

Eu vejo as plataformas digitais como uma grande oportunidade para a literatura brasileira. Infelizmente é muito difícil para o escritor brasileiro publicar seus livros, e as editoras valorizam obras que são cópias de bestsellers internacionais. Acho que no mercado convencional é difícil para um escritor publicar um autêntico livro que reflita sua personalidade/sua visão literária. Enfim, acho que o modelo não valoriza a arte, porque as editores tem que vender muitos exemplares para compensar o investimento, e a única forma de vender um grande número de exemplares é copiar bestsellers. (Não estou dizendo que não há bons livros, estou criticando aqui o modelo convencional, não todas as obras publicadas neste modelo).

Com as plataformas digitais, porém, qualquer um pode publicar um livro diretamente, sem passar pelos filtros das editoras. Tenho visto surgir os mais diversos escritores nos sites de livros digitais. Eu vejo aqui uma grande oportunidade para o desenvolvimento da literatura brasileira. Agora os escritores podem simplesmente escrever o que quiserem, sem se preocupar necessariamente com a rentabilidade de uma obra. Infelizmente, porém, a Amazon por padrão não permite que um livro esteja disponível gratuitamente para o Kindle. Isto é uma grande barreira para os novos escritores, principalmente porque o Kindle é a ferramenta mais popular para a leitura de livros digitais. O mercado brasileiro ainda não está pronto para gastar dinheiro com escritores desconhecidos (nem mesmo R$1,99), e faz uma diferença enorme entre um livro estar disponível de graça ou estar sendo vendido por qualquer valor, não importa quão barato seja.

Uma dica para os novos escritores: para colocar o seu livro de graça para o Kindle, primeiro coloque ele de graça em outra livraria digital, por exemplo a Kobobooks (www.kobobooks.com). Depois envie uma mensagem para a Amazon avisando que o seu livro está disponível de graça em outros lugares, e envie o link do outro local onde o livro está disponível. Pode ser necessário avisar a Amazon americana primeiro, então coloque o livro disponível na Kobobooks americana também (o livro pode estar em português, não quero dizer que é necessário traduzir o livro). Depois que o livro estiver de graça na Amazon americana, contate a Amazon brasileira.

8 – O que você faz no seu tempo vago?

Tempo vago?… Que tempo vago?.. hehe Teoricamente eu escrevo no meu tempo vago!.. :) Mas além de ler e escrever, gosto de jogar Go (http://pt.wikipedia.org/wiki/Go) e esgrima. Também gosto de passear, principalmente nos finais de semana, fazer caminhadas pela mata com minha linda esposa tailandesa.

Confesso que mesmo quando estou passeando levo no meu bolso um pequeno bloquinho de notas. Muitas vezes uso o tempo em que tenho que esperar por alguma coisa para escrever ou anotar alguma ideia. Eu não tenho muito tempo disponível, então é uma ótima forma de aumentar o tempo em que dedico à escrita, além de preservar ideias que de outra forma acabariam sendo esquecidas. Em geral os minicontos que publico em meu site surgiram desta forma.

9 – Quais os planos para o futuro?

Em relação à minha vida ou em relação à escrita? Em relação à minha vida, tenho que terminar meu doutorado e encontrar um emprego!.. Espero me tornar um pesquisador em alguma faculdade por aí…

Em relação à escrita, estou trabalhando no meu terceiro livro. Mas o projeto anda meio parado, porque também estou traduzindo a minha primeira obra, “Vida”, para inglês. Isto é para mim um motivo de conflito, porque o tempo em que gasto na tradução poderia ser melhor investido na produção de uma obra nova. Mas também é importante atingir um grande número de leitores, e ter a obra em inglês ajuda muito neste processo. Por isso este ano resolvi arregaçar as mangas e começar a traduzir.

Pelo menos, tenho trabalhado em paralelo em novos contos, alguns dos quais fazem parte de um projeto literário que estou desenvolvendo com uns amigos meus escritores, incluindo o Armando Alves Neto (www.ospossuidos.com). Em nosso projeto, chamado Vale Literário, cada pessoa propõe um tema-desafio e todos tem que escrever um conto em torno deste tema. É um ótimo exercício, e tem surgido contos bem interessantes. Estamos iniciando agora um site para publicar estes contos, então você já pode encontrar alguns em www.valeliterario.com.br.

10 – Uma mensagem que você gostaria de deixar para os escritores que estão tentando começar a própria obra

Não “tente” começar, simplesmente comece. Abra um editor de texto o mais rápido possível e comece a escrever! :) Há vários desafios que seguram as pessoas e as impedem de começar. Muitos esperam uma inspiração divina, e jamais iniciam nenhuma obra enquanto esta inspiração não vem. Outros querem escrever, mas se perdem em obrigações “mais importantes”, que recebem maior prioridade, e acabam não encontrando tempo para a escrita. Afinal, em geral ninguém pode se dedicar à escrita em tempo integral, todo mundo tem um trabalho, uma obrigação, e algumas vezes o tempo dedicado à escrita pode parecer um tempo “desperdiçado”. Outros tem medo de se expor, de publicar um texto que não é perfeito, de receber críticas negativas.

Não deixe essas coisas te segurarem. Todo escritor tem que lidar com esses conflitos, de uma forma ou de outra, eu mesmo muitas vezes tenho dificuldade em encontrar tempo em meio às minhas obrigações. Mas é importante enfrentar todos esses desafios, não deixar eles te segurarem, e escrever de qualquer forma. A minha dica básica é separar pelo menos uma hora por dia para dedicar à escrita. Mas a dica mais fundamental é: não “tente” iniciar sua obra. Não espere mais. Não importa o que esteja te segurando, simplesmente comece a escrever agora. Agora. Sim, agora. Já começou? ;)